sexta-feira, setembro 23, 2005

A Chuva e a árvore

Havia uma árvore frondosa na vizinhança da Casa.
Ela fazia uma sombra ótima, onde muitos descansavam do calor sem trégua,
Mendigos a usavam como teto nas noites frias,
pássaros faziam ninhos nela, seus frutos os alimentavam.
Ela grande, bela e imponente.

O vento passava e fazia reverência a ela, apenas acariava sua folhas.
O Sol parecia que se inclinava sob a árvore para que sua sombra fosse maior.

Mas a chuva tinha inveja, pois se fosse fraca, não chegava a molhar o chão abaixo de sua copa. Se fosse forte, suas folhas impediriam que ela chegasse forte ao solo.

Mas a chuva era paciente. E aguardou até que virasse uma tempestade. Obrigou o vento a ajudá-la, e fez isso quando o Sol já havia se posto.
Impiedosamente, ela já não molhava, mas chicoteava a árvore com suas gotas fortificadas no ventos.
A árvore resistia aos seus ataques, mas a chuva parecia cada vez mais raivosa, mas a árvore não cedia aos seus desejos.

Então a chuva mudou de estratégia. Com seus pingos, fortes com o vento, seria de algoz para a terra que a sustentava, deixando a fraca e sem forças para sustentar a imponente árvore. A chuva intensificou seu ataque e começa a ouvir o som da madeira cedendo a sua vontade. Isso a reanimou e ela volta a chicotear a árvore.

Então a árvore finalmente tomba a vontade da chuva, não porque quer, mas porque o solo desiste da batalha e a larga. Sem sua ajuda, ela não passava de uma folha ao vento. A chuva vê seu triunfo sobre aquele incômodo e acalma até cessar.

No dia seguinte, vimos a árvore, com sua raiz exposta sob o sol matinal, deitada como se estivesse descansando do trabalho feito por anos a fio. Parecia feliz, pois sua missão foi cumprida: deu sombra e proteção a quem precisasse. Onde ela residia, há agora uma grande vazio a ser preenchido com outra árvore, ou apenas jogarão terra por cima e esquecerão do que houve lá um dia.

Agora descansa em paz, esperando ser levada para o seu local de descanso defintivo. E lá, quem sabe, servir de alimento para outras jovens árvores. E essas jovens possam ser tão grandes quanto ela foi, e que, unidas, sejam mais forte que ela jamais foi. E então até a chuva teria respeito por ela.